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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

TAOÍSMO E O FLUXO DA VIDA

 Para o taoísmo, caminhante é aquele que vive no presente e segue a constância do movimento da vida

Ao trilhar o caminho voltamos os olhos para dentro em busca do próprio coração, segundo o taoísmo
O taoísmo apresenta uma maneira que pode transformar nossa vida numa jornada mais leve e prazerosa. A própria palavra “tao”, em sua escrita original chinesa (ideograma道), indica a solução para descomplicar a vida: fazer da caminhada o próprio caminho, isto é, sem o ato de caminhar não existe nem caminho nem caminhante. António Machado (célebre poeta espanhol, 1875-1939), nos versos de “Proverbios y Cantares” (1), sintetiza a singeleza do Tao: “Caminhante, são teus passos o caminho e nada mais/Caminhante, não há caminho/Faz-se o caminho ao andar”.
O caminhante é aquele que vive no presente, um mero observador que se deixa conduzir pela naturalidade e constância do movimento da vida, seguindo sua vocação, sem conflitos, sem atritos, sem desperdícios. Sempre guiado pelo coração, o caminhante prossegue com equilíbrio e moderação, conduzindo a vida de modo sensato e bem humorado.   
Muitas vezes, para não dizer na maioria das vezes, empreendemos nossa jornada sem prestarmos atenção alguma na estrada que estamos a trilhar. Apenas seguimos o que comumente todas as pessoas fazem: estudar, trabalhar, consumir, estudar mais para trabalhar mais, trabalhar mais para ganhar mais, ganhar mais para consumir mais, sempre mais, mais e mais. Até que chegamos a um ponto de retrocesso: menos disposição, menos saúde, menos energia, e nenhum tempo a mais. E a vida se foi sem nos darmos conta de que não vivemos, fomos vividos.
Por outro lado, quando estamos sintonizados com o ritmo natural da existência, podemos nos harmonizar com as mudanças em todos os acontecimentos, trilhando a extensão de nossa rota passo a passo, num compasso adequado ao fluxo evolutivo de todas as coisas, com humildade e suavidade.
Um passo de cada vez
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